O nascimento de um filho é um dos momentos mais marcantes na vida de uma mulher. No entanto, muitas vezes, a experiência pode ser traumática, especialmente quando o parto é feito de forma não respeitosa. O parto humanizado surge como a saída para mudar essa realidade, oferecendo um ambiente acolhedor e respeitoso para a mãe e o seu bebê, mas não apenas isso. Mas, afinal, todo parto normal é humanizado? Existe diferença entre eles?

O parto é um evento fisiológico e natural, que acontecerá sem intercorrências na maioria das gestações. Cerca de 85 a 90% das gestações terminarão em partos normais e apenas 10 a 15% das mulheres precisarão de uma cesárea, de acordo com dados da OMS. Desse percentual de partos normais, a maior parte deles poderiam ocorrer de forma totalmente fisiológica, sem necessidades de intervenções, de acordo com dados da pesquisa Nascer no Brasil. O parto normal é aquele em que a mulher dá à luz por meio do canal vaginal. Já o parto humanizado se tornou um termo comum, mas não está relacionado a um tipo específico de parto. O parto humanizado se relaciona com o respeito às escolhas da gestante, a valorização do protagonismo da mulher e ao respeito às necessidades específicas da dupla mãe-bebê durante o processo do parto.

Uma das profissionais que contribuem para o parto humanizado é a doula, que oferece informação baseada em evidências, suporte emocional e físico à gestante durante todo o processo do parto. De acordo com inúmeros estudos publicados na Cochrane Library, a presença da doula pode reduzir o tempo de trabalho de parto, diminuir a necessidade de intervenções médicas, como o uso de analgesia e a cesárea, e melhorar a satisfação da mãe com a experiência do parto.

Susana Moscardini, Doula e Educadora Perinatal desde 2012, explica que o Ministério da Saúde considera a presença da doula como mais um instrumento humanizador.

“A doula se apresenta como uma alternativa para aumentar o bem-estar e a experiência positiva das mulheres e os benefícios da sua atuação já foram comprovados cientificamente. A doula acolhe e acompanha as mulheres na hora do parto, dando apoio emocional e incentivo, não só às gestantes, mas também a seus familiares”, explica.

Parto humanizado diz respeito à assistência
É importante dizer que o parto humanizado não se resume a um tipo específico de parto, na banheira ou fora dela, de cócoras ou em pé. O parto humanizado tem a ver com a assistência prestada pela equipe médica no decorrer da gestação e parto, que deve se basear no tripé: segurança para dupla mãe-bebê, respeito à fisiologia do parto, autonomia, protagonismo feminino e decisões compartilhadas entre equipe técnica e gestante dentro do que é possível.

“Assistência humanizada é aquela que preconiza a sua atuação, tendo como base evidências científicas atualizadas, respeito ao protagonismo e autonomia da mulher, segurança da dupla mãe / bebê e decisões compartilhadas. Por este motivo, não deveria haver diferença entre parto normal e humanizado. Na verdade, todo parto deveria ser humanizado, ou seja, respeitar a autonomia da mulher, a segurança da díade e as evidências científicas”, pontua.

Dessa maneira, o parto humanizado é um método que busca resgatar a individualidade de cada processo de parto, proporcionando às mulheres uma experiência mais respeitosa, segura e empoderadora. Essa abordagem contrapõe-se à violência obstétrica, que tem sido uma triste realidade no Brasil, onde mulheres sofrem com práticas abusivas, intervenções desnecessárias e desrespeito aos seus direitos.

Mães devem buscar conhecimento
Nesse cenário, é totalmente necessário que as mulheres estudem e denunciem as violências obstétricas sofridas. Além disso, é essencial que as gestantes conheçam as suas opções e escolham a melhor alternativa para si e para o seu bebê, sempre em busca de um parto saudável e respeitoso.

“Seguimos nós, as mulheres, sendo o único meio pelo qual um ser humano é capaz de chegar neste planeta e viver. Estude, pesquise e tente ao máximo ter uma equipe de parto humanizada. Se for a sua realidade, contrate uma doula para lhe ajudar nesse processo. Acima de tudo, protagonize seu parto, faça escolhas conscientes e exija tratamento respeitoso e, assim, humanizado”, finaliza Susana Moscardini.

Fonte: Ascom
Foto: Divulgação

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