A candidata à Presidência pelo MDB, Simone Tebet (MDB), tentou se afastar do “velho MDB” em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, nesta 6ª feira (26.ago.2022). A emedebista admitiu casos de corrupção e fisiologismo da sigla no passado, mas afirmou que o partido é “mais que meia dúzias de caciques”.

“O MDB é muito maior do que meia dúzia de seus políticos e seus caciques. É o maior partido do Brasil. O partido que vem da base da redemocratização. O meu partido é o partido de Ulisses Guimarães, de Tancredo Neves, de Mário Covas. De homens Desbravadores corajosos e, acima de tudo, éticos”, respondeu Tebet à 1ª pergunta da entrevista, feita pela apresentadora Renata Vasconcellos.

A candidata repetiu discurso sobre o ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva ter tentado, por meio de emedebistas, “puxar o tapete” de Tebet.

A convenção do MDB, que oficializou Tebet candidata, foi realizada de forma remota pela plataforma Zoom. O fato foi questionado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por ala da sigla que apoia Lula e que não queria que a legenda tivesse candidato próprio. O argumento era que a ferramenta não garantia o sigilo do voto.

O principal articulador desse movimento foi o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Em 26 de julho, o ministro da Corte Edson Fachin negou o pedido.

Na resposta ao “JN”, Tebet se afastou do grupo: “Uma meia dúzia que esteve, por exemplo, envolvido no passado no escândalo do petrolão do PT e que não estão conosco. Aliás, Renata, se você me permitir, né? Tentaram puxar o meu tapete até a pouco tempo atrás. Se tivesse um tapete aqui, eu acho que eu já tinha caído da cadeira também”.

Tebet se colocou como a legítima representante do “centro democrático”, como o grupo formado por MDB, PSDB, Podemos e Cidadania. A candidata foi questionada pelos apresentadores sobre a capacidade de formar alianças e de ter governabilidade com o Congresso mesmo com pouco apoio no próprio partido.

Para isso, Tebet usou discurso que repete desde a pré-campanha de que fará um presidencialismo de “conciliação”. Sobre se daria cargos a indicados por partidos políticos em um eventual governo, a candidata afirmou que escolherá seus ministros pela honestidade e capacidade técnica, mas que estes poderão ser políticos dos partidos que formam sua coligação de apoio.

“Nós vamos governar com os partidos que se somam conosco. Ninguém faz nada sozinho, mas é preciso apenas duas características, e eu vou exigir apenas duas coisas para estar no ministério, ser honesto e ser competente. Independente de qualquer outro posicionamento. E nós temos muita gente honesta no Congresso Nacional e dentro desses partidos. Os demais vão fazer oposição”, declarou.

Ainda no tema, ela aproveitou para criticar os partidos do ex-presidente Lula, PT, e do atual presidente Jair Bolsonaro, PL, ao citar escândalos de corrupção como o “Mensalão” e desvios na Petrobras. Voltou, neste momento, a dizer que houve envolvimento do MDB nas negociatas.

“Temos que deixar de lado esse chamado presidencialismo de coalizão, que na realidade é de cooptação. Que aconteceu com mensalão do passado, compraram consciência dos parlamentares para tentar uma reeleição, foram descobertos. Vieram com petrolão, fatiaram a maior estatal do Brasil e colocaram ali. Inclusive a gente do meu partido, que você tem razão, e do partido do atual presidente da república”, disse.

A candidata do MDB disse duas vezes que é “a alma da mulher e o coração de mãe” na corrida pelo Planalto durante a entrevista. Tebet deu preferência à posição materna aos cargos políticos de sua carreira caso seja eleita, e afirmou que o Brasil precisa de “união, amor e cuidados verdadeiros”.

Ao se distanciar do que chamou de “presidencialismo de coalizão”, Tebet disse que busca “fazer diferente” caso seja eleita. “Caso contrário, eu não colocaria meu nome à disposição do Brasil. A presidente que vai estar governando o Brasil a partir de 1º de janeiro do ano que vem não é a senadora, não é a deputada, não é quem foi prefeita, quem foi vice-governadora. É a alma da mulher e o coração de mãe”, afirmou.

Tebet foi questionada sobre a subrepresentação feminina dentro de seu próprio partido e respondeu que isso se dá com todas as siglas e que a mudança é um processo, mas que, se for eleita, passará projetos para igualar os salários de homens e mulheres e para estabelecer um mínimo de 30% para mulhres nas executivas regionais dos partidos.

“Mulher vota em mulher. Se ela souber que tem uma mulher competitiva, corajosa, que tem currículo, que trabalha. Quantas mulheres de chão de fábrica, quantas professoras, quantas líderes comunitárias, quantas mulheres das comunidades têm condições e liderança. Então, quando nós tivermos 30% de mulheres nas executivas, nós vamos fazer a diferença e nós vamos mudar esse percentual.”

Bonner questiona promessas
O apresentador focou suas perguntas à candidata na área da economia. Citou promessas do plano de governo da emedebista, como a de erradicar a miséria, e questionou como seria possível cumprir esses objetivos diante do quadro fiscal brasileiro.

Entre as promessas do plano de governo também está a entrega de 1 milhão de casas para famílias de baixa renda em 4 anos, zerar fila de atendimentos empoçados por conta da pandemia e erradicar o analfabetismo.

Nesse tema, Tebet enfatizou que conta com uma equipe de economistas liberais por trás de suas promessas. Ela não explicou em detalhes, entretanto, como faria para pagar tudo que consta no plano. As respostas foram mais para a linha de que há dinheiro em caixa para a educação, saúde, habitação, mas que falta vontade política de executar o previsto.

“Nós temos o melhor time, a melhor equipe dos economistas liberais do Brasil. Então nós temos um compromisso fiscal, mas como meio para se alcançar a responsabilidade social. A agenda prioritária, é o eixo do meu governo, são as pessoas. Agenda social, erradicar a miséria, diminuir a pobreza e acabar com a fome no Brasil”, afirmou.

Entre as fontes de investimento citadas pela candidata também está acabar com as emendas de relator, que ela chama de “Orçamento Secreto”. Outra ideia citada por Tebet foi aumentar a faixa de isenção do imposto de renda, cobrar menos da classe média e tributar lucros e dividendos.

Missão: ser conhecida
Na última pesquisa PoderData, divulgada em 17 de agosto, Tebet marcou 4%. A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 14 a 16 de agosto de 2022, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 3.500 entrevistas em 331 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%. O registro no TSE é BR-02548/2022.

Durante os 40 minutos da entrevista ao Jornal Nacional, Tebet citou sua história para que as pessoas soubessem de seu passado e currículo. Para a campanha, o principal motivo para que a candidata não suba nas pesquisas é o desconhecimento dos eleitores.

“Dei aula de, exatamente, como se administra um país, olha que coisa interessante. Jamais imaginei depois que estaria nessa bancada do Jornal Nacional como candidata à presidência da república. Fui deputada estadual, fui vice-governadora, prefeita. Fui considerada a prefeita da industrialização, nunca se levou tantas Indústrias para o nosso estado”, disse enquanto respondia pergunta sobre outro tema.

Quem é Simone Tebet?
Simone Tebet tem 52 anos, é natural de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, e foi confirmada em 27 de julho como candidata do MDB à Presidência da República, em meio à polarização da sigla por Lula e Bolsonaro.

A senadora, formada em direito, começou sua carreira política em 2003 como deputada estadual. De 2005 a 2010 foi prefeita de sua cidade natal por 2 mandatos. Deixou o cargo para ser vice-governadora do MS. É filha do ex-presidente do Senado Ramez Tebet, que morreu em 2006.

De 2013 a 2014, Tebet foi secretária de governo até que, em 2015, foi empossada como senadora da República. Venceu as eleições para a Casa Alta em 2014 com 52,61% dos votos válidos no Estado.

No Senado, Tebet foi a 1ª mulher a ser presidente da principal comissão da Casa, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Durante a pandemia, foi uma das mais críticas ao governo de Jair Bolsonaro durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid.

Fonte: Poder360

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