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Economia

Liderança caiapó, Paulinho Paiakan morre vítima da Covid-19

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Após dez dias lutando contra a Covid-19, o líder caiapó Bep’kororoti, o Paulinho Paiakan, morreu nesta quarta-feira (17), no Hospital Regional de Redenção, no sul do Pará. Ele foi uma das vozes mais importantes do movimento indígena no período da redemocratização, mas caiu no ostracismo após envolvimento em um rumoroso caso de estupro.

Ao lado de nomes como Mario Juruna, Tuíra Kayapó, Ailton Krenak, Álvaro Tukano e Raoni Metuktire, Paiakan atuou como árduo defensor da demarcação das terras indígenas e da expulsão de garimpeiros e madeireiros. Essas lideranças tiveram papel decisivo no processo da Constituição de 1988, que consagrou aos povos indígenas o direito ao território.

Levado por missionários a Altamira quando era adolescente, Paiakan se tornou um dos primeiros caiapós a aprender português e a conhecer o mundo dos brancos. Em 1972, o jovem foi contratado pela Funai (Fundação Nacional do Índio) para ajudar na aproximação com indígenas que estavam no caminho da construção da Transamazônica.

“Por que estão fazendo uma estrada aqui? Por que tenho de facilitar o contato com outros índios? Perguntava sem parar, mas ninguém sabia me explicar nada”, disse Paiakan, em entrevista para o livro “Caminhos de Liberdade”, do escritor espanhol Javier Moro, que narra seu período de formação.

Depois dessa experiência, Paiakan voltou à sua aldeia, Aukre, onde escreveu o primeiro livro publicado por um caiapó, sobre o que viu na Transamazônica. Era o começo de seu papel de intermediário entre o mundo branco e indígena.

Como liderança, uma de suas ações mais importantes foi a expulsão de 5.000 garimpeiros concentrados no garimpo Maria Bonita, em 1985. Mesmo contando com apenas cem guerreiros, Paiakan marchou com seu grupo até o local pintado para a guerra.

Para criar a ilusão de que havia mais guerreiros, Paiakan orientou que o grupo se postasse parado sobre um morro antes de negociar com os garimpeiros e um pequeno contingente da Polícia Federal. “Somos milhares. Se não fizermos algo, haverá uma matança”, blefou o líder, conforme o relato de Moro.

A estratégia deu certo e, ao longo dos próximos dias, todos os garimpeiros deixaram Maria Bonita. Até então, foi um dos raros episódios em que os indígenas conseguiram expulsar tantos invasores de suas terras.

Outro marco importante da trajetória de Paiakan foi a luta contra a construção de usinas hidrelétricas no rio Xingu. Em 1988, ele e Kube-i, outra liderança caiapó, estiveram em Washington, onde se reuniram com representantes do Banco Mundial, da Casa Branca e do Congresso.

Acompanhados do antropólogo Darrell Posey, eles denunciaram que o projeto estava sendo tocado sem a consulta aos povos indígenas que teriam suas terras inundadas. O resultado foi o congelamento do empréstimo do Banco Mundial para o projeto, só retomado no governo Dilma Rousseff (PT), com a construção da usina Belo Monte.

Furioso com a repercussão da visita, o governo José Sarney reagiu. Na volta ao Brasil, Posey e os caiapós foram detidos e interrogados pela Polícia Federal, sob a acusação de terem causado danos à imagem do país no exterior.

Meses depois, os três foram indiciados pelo Estatuto do Estrangeiro, legislação criada pela ditadura militar. “Nunca antes, em quase 500 anos de história de relações entre brancos e índios no Brasil, os ameríndios haviam sido processados como estrangeiros em sua própria terra”, escreveu Posey à época.

A repercussão negativa contra o governo foi imediata. Mesmo assim, o processo prosseguiu. Em 1989, todos foram absolvidos pelo Supremo Tribunal Federal.

As maiores conquistas da luta de Paiakan, Raoni e de outras lideranças caiapós foram a homologação, em 1991, da Terra Indígena Kayapó, com 3,3 milhões de hectares, e da Terra Indigena Baú, em 2008, com 1,5 milhão de hectares. Os caiapós somem hoje cerca de 12 mil pessoas.

A trajetória de liderança acabou abreviada em 1992, quando foi acusado de estupro pela estudante Sílvia Letícia Ferreira, à época com 18 anos, em Redenção. O depoimento foi revelado pela revista Veja, que estampou na capa a foto de Paiakan com o título: “O Selvagem”.

A notícia saiu durante a realização da ECO-92, Conferência Mundial sobre Meio Ambiente, no Rio, e acabando tendo grande repercussão internacional.

O processo judicial gerou uma acirrada batalha judicial em torno da imputabilidade do indígena. Ele acabou condenado a seis anos de prisão em regime fechado, mas ficou apenas dois anos e quatro meses em prisão domiciliar em sua aldeia, para onde se mudou de volta após o crime.

Paiakan morreu com cerca de 68 anos -ele não tinha registro de nascimento. Deixa a viúva, Irekran, e três filhas.

Fonte:https://gauchazh.clicrbs.com.br
Foto: Divulgação

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Economia

Jucepi registra abertura de quase 2 mil novas empresas de janeiro a março

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A Junta Comercial do Estado do Piauí (Jucepi) registrou a abertura de 653 empresas em março deste ano, sendo o melhor resultado do mês nos últimos três anos. Com relação a baixa, foram fechadas 275 empresas. No acumulado deste ano, de janeiro a março, o Piauí abriu 1.989 empresas. Por outro lado, foram fechadas 801 empresas. O saldo entre abertura e fechamento segue positivo com 1.188 negócios registrados na Jucepi.

A presidente da Junta Comercial, Alzenir Porto, observa que os dados do primeiro trimestre são positivos pelo cenário da pandemia e também quando comparado com o mesmo período dos anos 2020 e 2019. “Temos um saldo positivo entre abertura e fechamento de empresas no mês de março, o que mostra a confiança dos nossos empreendedores em investir no mercado do Piauí. Mesmo no momento difícil que estamos passando, os dados apontam um otimismo e acreditamos na retomada da economia”, afirma a gestora.

Outro dado importante é o número de alterações empresariais. Em março, a Jucepi registrou 932 alterações. E os três primeiros meses do ano somam 3.083 alterações registradas na Junta Comercial. Esses dados apontam a resiliência do empresariado que preferiu manter a empresa aberta e realizou alterações para se adaptar ao cenário de restrições sanitárias e à economia digital.

Na Jucepi, os processos de abertura, alteração e baixa (extinção) de empresas são realizados de forma on-line no Piauí Digital (www.piauidigital.pi.gov.br). No portal, qualquer usuário pode solicitar certidões, arquivamentos de interesse da empresa, registro de balanço, livros contábeis, verificação de autenticidade de documentos, dentre outros serviços oferecidos pela Junta Comercial, sem sair de casa, usando apenas o computador com internet.

As principais atividades registradas foram: comércio; atividades profissionais, científicas e técnicas; saúde humana e serviços sociais; e construção.

Fonte: CCOM

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Economia

Caixa paga auxílio emergencial a nascidos em maio

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Trabalhadores informais nascidos em maio começam a receber nesta quinta-feira (15) a nova rodada do auxílio emergencial. O benefício terá parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família.

O pagamento também será feito a inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos nesse mês.

Também hoje, a Caixa Econômica Federal depositará a revisão do auxílio emergencial para 236 mil novos beneficiários nascidos de janeiro a maio incluídos na nova rodada. Essas pessoas haviam sido excluídas por não se enquadrarem no público elegível, mas contestaram o benefício negado e conseguiram reaver o auxílio.

Os nascidos de junho a dezembro reincluídos no auxílio emergencial receberão conforme o calendário de pagamentos divulgado no fim de março. A relação dos incluídos na revisão do auxílio está disponível na página de consultas desenvolvida pela Dataprev, estatal responsável pelo cadastro dos beneficiários.

Fonte: Agência Brasil

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Economia

Centro de Atendimento da Secretaria de Finanças passa a funcionar ate as 17h

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Visando uma maior segurança e comodidade para o contribuinte de Teresina, a Central de Atendimento da Secretaria Municipal de Finanças (SEMF) prolonga o atendimento das 8h às 17h, a partir desta quarta-feira, 14.

Muitos contribuintes estão procurando o órgão e, visando o respeito às medidas sanitárias impostas pela pandemia de Covid-19, foi estabelecida a divisão de equipes, em dois turnos. O objetivo é proteger a saúde tanto os servidores quanto dos contribuintes.

Os principais serviços buscados na CAP são emissão de alvará, parcelamentos de débitos, emissão de DATM, credenciamento de nota, atendimento do Piauí Digital, dentre outros.

Fonte: Ascom/PMT

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