O governo da Nicarágua confiscou na quarta-feira (24) a sede e equipamentos do jornal “La Prensa”, denunciaram os proprietários do diário, que, agora, só circula na versão digital. O “confisco de fato” se concretizou com o anúncio do governo do presidente Daniel Ortega de que converteria as instalações do jornal em um “centro cultural”, dizem os donos do jornal.

“Há vários dias, funcionários do regime realizam obras e movimentam algumas máquinas e equipamentos na sede em Manágua”, afirmou o jornal. “Com essas ações, o regime Ortega-Murillo conclui o confisco de fato dos bens da planta industrial da Editorial La Prensa”, afirmou o meio de comunicação.

O jornal, um dos mais antigos da América Central e o mais longevo da Nicarágua, foi invadido há um ano por agentes do governo, depois que seu gerente, Juan Lorenzo Hollman Chamorro, foi acusado de lavagem de dinheiro. Em abril, ele foi condenado em um julgamento considerado politicamente motivado por organizações de direitos humanos.

As instalações de “La Prensa”, localizadas em uma área industrial de Manágua, estão nas mãos da Polícia Nacional desde 13 de agosto, quando as autoridades nicaragüenses alegaram que o estabelecimento teria sido usado para cometer crimes de “fraude alfandegária e lavagem de dinheiro”.

Hollman Chamorro é sobrinho da ex-presidente Violeta Chamorro. Os jornalistas que trabalhavam para o veículo preferiram exilar-se.

De acordo com a organização Jornalistas e Comunicadores Independentes da Nicarágua (PCIN), 120 jornalistas se exilaram desde que a crise política começou no país centro-americano em 2018. Na Nicarágua, nenhum jornal é impresso atualmente e os poucos meios de comunicação que ainda operam on-line o fazem clandestinamente, disse o PCIN.

Fonte: terra.com.br

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