No Jogo 1, o Boston Celtics surpreendeu e venceu o Golden State Warriors no seu próprio jogo: com grande atuação dos seus coadjuvantes, os Celtics afundaram os Warriors com uma chuva de bolas de três pontos, defesa sufocante e formações baixas em quadra, todas marcas registradas da equipe de Golden State. Como resultado, Boston saiu da partida tendo aberto vantagem nas Finais da NBA e roubado mando de quadra.

Mas Stephen Curry não iria deixar a história se repetir no Jogo 2.

Com uma performance magistral de 29 pontos, 6 rebotes, 4 assistências e 3 roubos de bola em apenas três quartos, Curry liderou um Warriors muito mais ligado dos dois lados da quadra em um massacre sobre os Celtics, 107 a 88, que nos lembra por que os Warriors eram favoritos na série antes dela começar. Tendo perdido o primeiro jogo em casa, o Jogo 2 era decisivo para Golden State, um jogo de vida ou morte cedo nas Finais, e a experiente equipe da Califórnia respondeu mais do que à altura.

No começo do jogo, parecia que o Celtics vinha para cometer novamente o proverbial crime: a equipe acertou as primeiras cinco bolas de quadra que tentou, abrindo 13 a 5 de vantagem logo nos primeiros minutos. Mas a dianteira logo se dissipou conforme Boston recaiu para o seu pior hábito, que quase custou as séries contra Bucks e Heat: turnovers. Foram seis só no primeiro tempo, seis posses extras para os Warriors onde eles não precisaram enfrentar a fortíssima defesa dos Celtics postada. Entre isso e a boa atuação de Curry, os Warriors se recuperaram terminaram o primeiro quarto vencendo por 31 a 30.

O alto nível de jogo se manteve no segundo quarto, com ambas as equipes se alternando na liderança e as defesas começando a aparecer mais para ambos os times. Do lado do Boston Celtics, Jayson Tatum foi o grande destaque, acertando bolas longas e conseguindo bater para dentro, terminando o primeiro tempo com 21 pontos; Jaylen Brown, a outra estrela do time, terminou o segundo quarto com 15, mas os Warriors usaram sua defesa forte para limitar os coadjuvantes de Boston, que tão importantes foram no Jogo 1. Tirando a dupla JayJay, Derrick White foi o único jogador dos Celtics com mais de dois pontos.

Do lado dos Warriors, nós vimos o oposto: a equipe se manteve no jogo graças a um excelente esforço coletivo, mas partidas muito fracas de Klay Thompson (2 pontos) e Jordan Poole (3 pontos) impediram que a equipe abrisse vantagem no placar, errando uma série de arremessos e cometendo muitos turnovers. Talvez mais preocupante, Draymond Green começou a sair do controle, quase sendo expulso com duas faltas técnicas e se envolvendo em duas brigas diferentes em quadra. Quando acabou o segundo quarto, o jogo novamente estava apertado e em aberto, 52 a 50 para Golden State.

Mas então ambos os times voltaram do intervalo, e os Warriors fizeram o que fazem de melhor: massacrar times no terceiro período. Aconteceu no Jogo 1, só para o excelente terceiro quarto de Golden State ser apagado por um quarto período ainda mais dominante e perfeito do Boston Celtics. Dessa vez, os Warriors fizeram questão de não deixar essa possibilidade aberta.

No terceiro quarto, depois de um começo truncado com poucas cestas de ambos os lados, Golden State fez um ajuste que seria decisivo para a partida: deixar de lado sua movimentação sem a bola complexa, e simplesmente colocar Stephen Curry no pick-and-roll. Os Warriors são um dos times da NBA que menos usa o pick-and-roll no ataque, algo pelo qual o time frequentemente é criticado, mas depois da forma ultra-agressiva como Boston marcou Stephen Curry no segundo tempo do Jogo 1 em seus cortes, Golden State optou por simplificar seu ataque, deixar a bola nas mãos de Curry, e voltar à jogada mais básica do basquete. Essa tática fez com que Boston, ao invés de usar seus excelentes armadores defensivos como Marcus Smart e Derrick White para acompanhar Curry pela quadra, precisasse contar com seus pivôs para defender Curry com mais frequência – o que eles não tiveram chance.

Stephen Curry sozinho anotou 14 pontos no terceiro período para os Warriors, enquanto os Celtics como um time anotaram 14 pontos no total. Para piorar, além da sufocante defesa dos Warriors que tolheu o ataque de Boston, o time continuou cometendo uma infinidade de turnovers que novamente apenas serviram de munição para a arrancada dos Warriors. Eles também contaram com o despertar de Jordan Poole e Klay Thompson, que antes vinham tão mal na partida; depois de combinarem para 5 pontos no primeiro tempo inteiro, os dois anotaram 11 pontos com três bolas triplas no terceiro quarto, incluindo essa cesta absurda de Poole no estouro do cronômetro, do meio da quadra.

Entre o brilhantismo de Curry, os coadjuvantes pegando fogo nas bolas longas e a defesa sufocante de Golden State, Boston não teve chance. Os Celtics até tentaram recorrer às formações mais baixas que venceram o Jogo 1, mas com Gary Payton II – muito aplaudido pela torcida no Chase Center – de volta, os Warriors estavam prontos para elas. O resultado foi um massacre, 35 a 14, a favor dos Warriors, abrindo uma vantagem de 27 pontos antes do período.

Tendo em vista o quarto período do Jogo 1, Boston voltou para os 12 minutos finais ainda com alguma esperança de virada, mas depois dos Warriors rapidamente anotarem 6 pontos para empurrar a vantagem para 33, os Celtics jogaram a toalha: Ime Udoka pediu tempo, e na volta os Celtics entraram com os reservas em quadra, incluindo Aaron Nesmith, que faz meses não joga em condições normais. Stephen Curry sequer chegou a pisar em quadra de novo, de tão decidida que a partida estava. O quarto período foi apenas protocolar, o famoso “cumprir tabela”. e os Warriors confirmaram sua vitória brilhante sem grandes esforços.

O saldo dos dois primeiros jogos, inegavelmente, é favorável a Boston: a equipe conseguiu dividir os dois jogos fora de casa, roubou o mando de quadra, e agora viaja para casa esperando confirmar esse mando e colocar uma mão na taça antes de deixar a costa leste para o Jogo 5. Ainda assim, com as costas contra a parede, os Warriors mostraram o melhor lado desse time, e chegam embalados para os próximos jogos. Ambas as equipes têm motivos para otimismo, momentos para apontar e se convencerem de que têm o que é necessário para vencer mais três jogos e conquistar o título.

O moral está em alta, o nível de basquete mostrado até aqui foi excelente, e a expectativa para o Jogo 3 não poderia estar maior.

Fonte: Folhapress

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *