Pela primeira vez na Era Aberta do tênis (a partir de 1968), o Brasil tem uma mulher nas semifinais de Roland Garros. O feito – mais um! – pertence a Beatriz Haddad Maia, que voltou a vencer uma partida nervosa no torneio francês. Depois de um começo de jogo pouco inspirado, a paulista de 27 anos superou a tunisiana Ons Jabeur, número 7 do mundo, por 3/6, 7/6(5) e 6/1 e escreveu mais uma página importante na história do tênis verde-e-amarelo.

O triunfo também faz de Bia a primeira brasileira na semifinal de um torneio do Grand Slam desde o US Open de 1968, quando Maria Esther Bueno – sempre ela! – foi superada por Billie jean King a uma partida da final.

“Nos grand slams, temos a chance de recuperar. Tive um dia de folga e tenho um time incrível. Meu fisio está aqui, então ele pôde trabalhar muito duro no meu corpo. Meu técnico também, na minha mente. Isso é tênis. Trabalhamos o ano inteiro para estar nesses momentos. Lembro que no meio do segundo set, meu técnico me mostrou o relógio, e eu vi ‘uma hora e alguma coisa’. Pensei ‘talvez temos tempo ainda pela frente’. Eu tinha que manter a paciência e continuar com os meus golpes porque ela é uma ótima jogadora, uma das melhores do mundo, então muito feliz e orgulhosa de mim e do meu time hoje”, disse Bia logo após a partida, explicando como se recuperou fisicamente do jogo de 3h51min nas oitavas de final e como estava em ótimas condições para o duelo desta quarta-feira.

A próxima adversária da brasileira em Paris será número 1 do mundo, Iga Swiatek, bicampeã de Roland Garros. Também nesta quarta, ela superou a americana Coco Gauff.

Como aconteceu
O começo de jogo foi um tanto nervoso, com as duas tenistas cometendo mais erros não forçados do que bolas vencedoras. Jabeur era a melhor em quadra. Depois de confirmar seu saque, contou com um par de erros de Bia para abrir 2/0. A brasileira conseguiu devolver a quebra imediatamente, mas tinha problema para ganhar pontos em seus games de serviço e perdeu o saque outra vez no quarto game. A tunisiana, que errava menos, ainda contava com a eficiência de suas curtinhas, que Bia não conseguia alcançar. Só no primeiro set, foram cinco curtinhas vencedoras.

Jabeur abriu 4/1 com seu saque, e Bia até esboçou uma reação, devolvendo a quebra, mas voltou a perder o saque no oitavo game e viu a oponente fechar a parcial em 6/3 na sequência. Até ali, a brasileira havia vencido apenas 37% dos pontos com o primeiro serviço, embora tenha encaixado 73% deles na parcial. Jabeur disparou 15 winners contra apenas seis de Bia, e ambas cometeram 14 erros não forçados.

A paulista parece ter entendido que precisava fazer mais com o saque, e deu uma boa resposta no começo do segundo set. Forçando mais e sacando mais forte, não cedeu break points nos três primeiros games. Além disso, disparou três aces e evitou que Jabeur abrisse vantagem novamente. A tunisiana, contudo, também confirmava seus games de saque sem dar chances.

O jogo seguiu sem break points até o 11º game, quando Bia voltou a ter seu saque ameaçado. Depois de um winner de Jabeur e dois erros da brasileira, a tunisiana teve duas chances de quebra (15/40). Desperdiçou a primeira errando uma devolução de segundo saque e foi forçada a um erro na segunda, graças a um bom forehand agressivo de Haddad Maia. Bia salvou seu saque e finalmente conseguiu pressionar a oponente. Com um winner de devolução, conseguiu um set point. A paulista, entretanto, atacou com um forehand para fora e desperdiçou a chance. Jabeur já não mostrava a confiança de antes e errou duas curtinhas no game, mas confirmou o saque a duras penas e forçou o tie-break.

Aproveitando seu bom momento, Bia começou o game de desempate abrindo 3/0, com dois winners. Pouco depois, com mais um forehand vencedor, fez 4/1. Com um lindo backhand na paralela, fez 5/2. Jabeur ainda salvou mais dois set points, mas Bia, com o saque e 6/5 no placar, fechou a parcial com um forehand indefensável na paralela: 7/6(5).

Cheia de confiança, Bia foi para o ataque nas devoluções logo no começo do terceiro set e finalmente voltou a quebrar o serviço da número 7 do mundo. O jogo mudou. A brasileira agora era a senhora da partida e jogava um tênis incisivo, sem deixar Jabeur respirar. Jogando mais perto da linha, anulou também as curtinhas da oponente. Com técnica e tática funcionando, Haddad Maia quebrou a tunisiana mais uma vez e abriu 3/0. A africana ainda devolveu uma quebra, mas não conseguiu manter seu saque logo depois. Assim, Bia abriu 5/1 e não olhou mais para trás.

Bia Haddad

Fonte: Folhapress
Foto: Divulgação

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