Preso há mais de 110 dias, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres irá prestar depoimento à Polícia Federal na tarde desta segunda-feira. A defesa de Torres já confirmou que ele comparecerá à superintendência nacional da PF às 14h30 e abrirá mão do direito de permanecer em silêncio. No fim de abril, a oitiva dele chegou a ser adiada em função do “seu estado de saúde delicado”, conforme argumentou os seus advogados na ocasião.

— Ele vai abrir mão do direito ao silêncio e esclarecerá tudo o que for questionado — afirmou Eumar Novacki, que lidera o time de advogados responsável pela defesa do ex-ministro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.

Ele será interrogado sobre as ordens que deu à Polícia Rodoviária Federal (PRF) para promover uma série de bloqueios nas rodovias no dia do segundo turno das eleições de 2022. A maior parte das blitzes foi registrada na Região Nordeste, o que o atual diretor geral da PRF, Antônio Fernando Oliveira, classificou como “desproporcional”. A PF suspeita que Torres idealizou a operação com o intuito de atrapalhar o trânsito de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

À PF, Torres dirá que as ações ocorreram em todo o país e que não houve qualquer direcionamento eleitoral.

Os investigadores já têm em mãos a planilha que ele pediu a seus subordinados para basear a ação – o arquivo levanta os locais em que Lula e o então presidente Jair Bolsonaro (PL) tiveram o melhor desempenho eleitoral. A defesa irá pontuar que o mapeamento foi feito sobre ambos os candidatos.

A PF também deve indagar o ex-ministro da Justiça sobre as razões de ele ter viajado à Bahia nas vésperas do segundo turno. Os investigadores suspeitam que a visita serviu para orientar a PF e a PRF sobre os bloqueios que seriam realizados no Estado, que foi crucial para a vitória eleitoral de Lula.

Torres deve explicar que a viagem ocorreu para atender um convite do então diretor-geral da PF, Márcio Nunes. Ele deve mostrar uma foto publicada no site da PF que o mostra ao lado de Nunes numa “visita à obra de reestruturação do edifício”, segundo a legenda da imagem.

Em abril, a PRF reinstaurou uma investigação interna para apurar o que motivou a operação dos bloqueios nas estradas. No despacho, o então corregedor-geral substituto da corporação Vinicius Behrmann Bento alegou que havia “fatos novos” que ensejavam o desarquivamento do procedimento.

Fonte: globo.com
Foto: Reprodução

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